QUEM
GANHA COM A FUSÃO ITAÚ-UNIBANCO
Por Manuel A. P. Miranda
“Crise é oportunidade.”
Provérbio Chinês
A posição do
Unibanco como contraparte de algumas empresas exportadoras brasileiras
em contratos derivativos cambiais e a falência da seguradora
Americana AIG, deflagraram uma onda de rumores sobre a (falta) de
saúde financeira deste tradicional banco brasileiro. Nessa
situação de instabilidade, de crise de liquidez, alguma
coisa precisava ser feita. Para o Unibanco é muito melhor
concluir uma fusão com o Itaú do que deixar os rumores
no ar. Esta opção é melhor para o mercado financeiro
brasileiro porque da uma sensação de mais solidez.
O que acontece é que estavam surgindo rumores sobre a situação
do Unibanco que eram muito fortes.
Esses rumores são habituais
em momentos de crise. Mas como ninguém pode comprovar e atestar
fica muito difícil de saber. Porque o próprio rumor
pode provocar uma corrida (aos bancos). Então, seja como
for, o fato de ter sido feito a fusão, ainda mais com o Itaú,
um banco reconhecidamente sólido e com excelente reputação,
traz uma garantia de que o sistema pelo menos não está
vulnerável. Porque o próprio rumor acaba provocando
aquilo que ele prevê. É difícil dizer como foi
feito, se com ajuda do governo ou não. Eles alegam que foi
uma decisão espontânea. No comunicado conjunto, os
dois bancos alegam que há 15 meses eles vinham tratando disso.
A união entre Unibanco
e Itaú ganhou uma definição caricata da mais
tradicional publicação sobre finanças em todo
o mundo. "É como a feijoada brasileira: com ingredientes
baratos, é possível fazer um prato saboroso",
diz a nota, publicada com algum destaque no site britânico
Financial Times.
A fusão foi regada com
saudosismo, champanhe e música nupcial. Quanto ao bolo não
poderia ter sido melhor a escolha para celebrar o grande casamento.
Tanta festa, no entanto, não se traduz em alegria em relação
aos correntistas que pagam taxas abusivas para simplesmente manter
uma conta aberta. Não bastasse isso, eles vão ter
que enfrentar mais filas, péssimo atendimento, altas taxas
e falta de concorrência.
Além disso, as empresas
que eram clientes de ambos os bancos também serão
impactadas negativamente, pois, seus limites de crédito ao
serem consolidados no novo banco serão reduzidos.
O Ministro da Fazenda, Guido
Mantega, festejou a fusão, segundo ele “ela é importante,
pois solidifica os dois bancos. É normal que em um momento
de turbulência, de problemas internacionais do setor financeiro,
você tenha um movimento de fusões. “São dois
bancos tradicionais, dois bancos sólidos, que têm uma
atuação importante para a atividade econômica.”
Muitos economistas famosos,
analistas de empresas, jornalistas responsáveis pela cobertura
das áreas econômicas e de negócios, reguladores,
empresários, políticos, em suma todos os formadores
de opinião são unânimes ao apoiar a fusão
Itaú-Unibanco. A razão dessa unanimidade é
muito simples. Ela atende pelo nome de economia de escala. Através
do processo de consolidação gera-se e usufrui-se de
uma maior procura dos bens e serviços, que geram reduções
de custos (economias de escala e curva de experiência). Tudo
isso devido ao milagre da produtividade industrial que resulta da
redução de custos unitários de produção
através do aumento da quantidade produzida.
Os apoiadores do processo de
consolidação do sistema financeiro vão mais
longe. Eles entendem que para ter sucesso nesta conjuntura de crise
financeira mundial, não é suficiente ter competência
e expertise para desenvolver os produtos certos para atender as
necessidades dos diferentes segmentos de clientes, para implantar
as estruturas de vendas e de suporte aos clientes, para avaliar
o a saúde financeira da empresa e de seus clientes e para
monitorar o risco associado ao negócio. No mercado financeiro
é preciso ter bala. Melhor, para estes apoiadores de fusões,
no mercado bancário e financeiro é necessário
ter tamanho grande, pois, tamanho é documento.
Apesar de o novo gigante ter
musculatura para se transformar num financiador mundial para empresas
brasileiras. Em nossa opinião, entretanto, os clientes sejam
eles indivíduos ou empresas, neste caso como na maioria dos
casos conhecidos no mundo dos negócios não se beneficiarão
com esses processos de consolidação econômica.
É bom não esquecer
que, no Brasil, os tomadores de empréstimos pagam e vão
continuar pagando, as mais altas taxas de juros do mundo civilizado.
Por exemplo, os chamados empréstimos pessoais chegam a registrar
taxas de juros anuais de mais de duzentos por cento. Taxas dessa
magnitude não são ratificadoras de um sistema financeiro
eficiente. A razão disso é que com a concentração
econômica há a redução da concorrência.
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