AS
ELEIÇÕES AMERICANAS E A CRISE MUNDIAL
Por Manuel A. P. Miranda
”Demorou um tempo para
chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições,
neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.” - Barack
Obama
Desde o primeiro mandato de
Ronald Reagan, no início dos anos 80, temos assistido o sucateamento
das principais agências reguladoras Americanas como SEC, IRS,
FCC, etc. A explicação para esse comportamento das
autoridades era a visão de que a ingerência do estado
nos negócios produzia ineficiência nos mercados. Os
resultados dessa decisão política estão sendo
sentidos hoje, com a eclosão da maior crise econômica
mundial desde a Grande Depressão de 1929. Vamos necessitar
restaurar a confiança do público Americano e também
de todos os povos ao redor do mundo nas instituições
reguladoras e isso implicará em assentar as bases de um novo
marco institucional para lidar com as questões do comércio
mundial, das finanças mundiais, e da liberalização
da circulação do trabalho a nível mundial.
São momentos de crise. São momentos que requerem sinalizações
claras do governo para o mercado.
As eleições americanas
mostraram com clareza qual é a direção que
o mundo deve ter. O povo americano deu o sinal dos tempos. Votou
pela unidade e não pela divisão. Os eleitores disseram
claramente: somente unidos venceremos a atual e gigantesca crise
de confiança que afetou os mercados financeiros e levou ao
colapso organizações tradicionais e centenárias.
Com a eleição de Barack Obama, o povo americano mostrou
que o caminho da paz e do progresso passa pela inclusão de
todos os setores sociais e não pela exclusão seja
ela baseada em raça, cor ou crença religiosa.
Barack Obama será o
primeiro African-American a comandar a maior economia do mundo.
Teremos, também no Congresso, uma maioria consistente de
membros do Partido Democrata. O presidente-eleito, Barack Obama,
tem se mostrado um estadista sintonizado com os problemas cruciais
que devem ser atacados. No centro desses problemas está a
necessidade de colocar um freio nos chamados contratos derivativos.
Alan Greenspan reconheceu recentemente que ele errou quando no final
dos anos 90 não os disciplinou. O novo presidente Americano
disse em seu discurso e com toda a razão: “Yes. We can!”
Sim. Unidos os povos e os governos vencerão a crise de confiança
e restaurarão os fluxos de comércio e das finanças
mundiais. Mas, os governantes mundiais terão que agir com
senso público e de urgência. A solução
dos problemas não pode ser postergada. É preciso agir
imediatamente e com muita força e inteligência.
Por exemplo, os especialistas
indicam a necessidade de um grande pacote público para estimular
a economia Americana. Os números deverão ultrapassar
a casa dos 500 bilhões de dólares. Esses números
deverão ser somados aos já aprovados 850 bilhões
de dólares. Esse pacote não poderá esperar
pela posse da nova administração. A razão disso
é que além de controlar e dar maior transparência
ao sistema financeiro, a liderança do setor público,
particularmente, nos setores de infra-estrutura será necessária
para que as empresas privadas voltem a investir pesadamente, condição
necessária para a redução do desemprego que
afligirá milhões de trabalhadores ao redor do mundo.
O novo Treasury Secretary precisará
ser um peso pesado da estirpe de Larry Summers, Paul Volcker, ou
Warren Buffet. Necessário também será definir
se o Federal Reserve e a SEC precisarão ter novos comandantes.
O importante é que as mudanças precisarão ser
decididas com inteligência e implantadas com rapidez não
só nos Estados Unidos, mas também em todos os demais
países.
Os fatos econômicos e
financeiros que têm vindo à tona indicam claramente
que as economias dos países desenvolvidos bem como aquelas
dos países em desenvolvimento sofrerão uma profunda
e longa recessão. O tamanho dessa recessão não
pode ser subestimado nem a necessidade de mudanças no sistema
regulatório. As soluções deverão levar
mais em conta os interesses da chamada Main Street do que aqueles
da chamada Wall Street.
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