A
EFICIÊNCIA DOS GRANDES BANCOS BRASILEIROS E O EMPOÇAMENTO
DE LIQUIDEZ
Por Manuel A. P. Miranda
Com a divulgação
dos balanços de cinco bancos médios relativos ao terceiro
trimestre ficou claro que os problemas da crise internacional já
atingiram o nosso solo tropical. A liquidez de todos eles ficou
reduzida. As ações do Banco Central ainda não
conseguiram desatar o nó das correias de transmissão
para a irrigação de novos créditos no mercado
interbancário. Isto significa que os grandes bancos privados
nacionais continuam “estudando” o que tem nas carteiras de crédito
dos bancos pequenos e médios, mas o dinheiro adicional que
veio do compulsório continua sendo aplicado em títulos
públicos.
Como os grandes bancos brasileiros
são hoje comparados aos melhores bancos do mundo em todos
os itens relevantes ligados a eficiência e rentabilidade operacionais,
então é o caso de perguntar: como explicar a necessidade
de tanto estudo para decidir se compra ou não compra as carteiras
dos bancos pequenos e médios. Isso cheira mais a ganância
do que a cautela bancaria. O empoçamento de liquidez beneficia
indevidamente os grandes bancos nacionais. Nestes tempos de crise
bancaria mundial “tamanho é documento.” E, isso, está
errado. Os bancos médios e pequenos estão sendo julgados
não por sua competência operacional e ou expertise
financeiro e bancário, mas sim pelo fato de serem médios
e pequenos. E, isso, repito, é errado.
Profissionais e estudiosos
do mercado financeiro sabem muito bem que a atuação
dos bancos pequenos e médios tem sido de fundamental importância
para o desenvolvimento de novos produtos e ampliação
da concorrência. O crédito consignado que tanto sucesso
vem tendo nos últimos anos, foi inteiramente concebido, desenvolvido
e implantado pelos bancos pequenos e médios nomeadamente
BMG, BMC, agora parte integrante do Grupo Bradesco, Pine, Daycoval,
e, Cruzeiro do Sul, só para citar alguns. Quando os jornalistas
da Rede Globo falam que o Banco Central esta liberando dinheiro
dos depósitos compulsórios para que os grandes bancos
nacionais comprem carteiras dos bancos pequenos e médios,
eles estão na realidade falando das carteiras de crédito
consignado que estão nos balanços desses bancos sejam
eles pequenos ou médios.
Apesar de Henrique Meirelles,
presidente do BACEN, ter dito no seu depoimento ao Senado Federal
entre outras coisas que “a fase aguda da crise financeira mundial
começa a se dissipar” e, mais, que “as medidas adotadas pelo
governo para dar liquidez às instituições financeiras
já permitem aos pequenos bancos respirar.” Há muita
coisa a fazer.
Renato Oliva, presidente da
Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa
as instituições de pequeno e médio porte aprovou
a mais recente medida anunciada ontem, quinta-feira, pela diretoria
do Banco Central que altera a remuneração dos compulsórios
dos depósitos a prazo. Afirmou ele que esta é “mais
uma medida na direção de restabelecer a dinâmica
do crédito bancário.” Ele ressalta que “o investimento
que será feito pelos bancos não ira interferir na
liquidez dessas instituições.” Disse mais que “esses
bancos irão capitalizar a liquidez e o sistema vai poder
atender a dinâmica do crédito, que estava comprometida.”
O quadro a seguir mostra claramente
a extensão dos problemas que os consumidores e os agentes
produtivos nacionais irão enfrentar neste fim de ano e que
continuarão no ano que vem. Todos os bancos da amostra perderam
depósitos. Sendo que as perdas de dois deles foram a porcentagens
superiores a dois dígitos.
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BANCO
|
DEPÓSITOS
Bilhões |
VARIAÇÃO
% NO TRIMESTRE |
| ABC
BRASIL |
1.8
|
-9.5
|
| DAYCOVAL
|
2.0
|
-10.8
|
| PARANA
|
0.7
|
-4.2
|
| PINE
|
2.1
|
-8.8
|
| SOFISA
|
2.5
|
-17.6
|
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